quinta-feira, 23 de julho de 2026

 

A Superação Espiritual do Trauma

A espiritualidade não desfaz o trauma, mas pode transformar seus efeitos sobre nossa existência.

 

Estou em uma fase da vida em que os acontecimentos — sejam tristes ou alegres — tocam profundamente a minha alma e me inspiram a compartilhar meus sentimentos com meus semelhantes, na esperança de que os ensinamentos que emergem dessas vivências possam contribuir para orientar suas jornadas existenciais.

Hoje, um fato nos convida à reflexão sobre o estágio ainda rude em que se encontra a humanidade. Uma pessoa boa, amorosa e sensível, tocada pela aparente dificuldade de alguém mais fragilizada em escolher um produto num supermercado, envolveu-se em um gesto genuíno de solidariedade, sem perceber que estava sendo vítima de uma armadilha criminosa. O que começou como um ato de compaixão transformou-se, subitamente, em aflição. Ao chegar ao caixa, constatou que sua carteira havia sido furtada justamente por aquela pessoa a quem procurou ajudar.

Além do trauma e de suas nefastas consequências, o fato revelou também a frieza do sistema. Apesar dos mecanismos de segurança existentes no supermercado, nada foi feito de imediato para socorrer a vítima e apurar os autores do delito, explicitando, mais uma vez, a complacência da engrenagem social com o crime. À vítima restou o peso das providências: registrar ocorrência, bloquear contas, alterar senhas e, posteriormente, enfrentar uma possível batalha jurídica para minimizar seus prejuízos, enquanto os responsáveis, na maioria das vezes, seguem impunes, perpetuando seus atos.

Situações como essa, que se repetem diariamente, atingem pessoas que nem sempre dispõem de condições emocionais, financeiras ou estruturais para lutar por seus direitos. Surge, então, a pergunta inevitável: como encontrar forças para superar uma realidade em que, à primeira vista, o bem parece ser vencido pelo mal?

Talvez não exista resposta que satisfaça a todos. No plano estritamente material, muitas circunstâncias parecem demonstrar que o crime compensa. Quando esse nível de compreensão se mostra insuficiente, resta-nos recorrer a uma dimensão mais profunda: a espiritual. É nela que podemos encontrar recursos para ressignificar a dor e vislumbrar interpretações que escapam ao alcance limitado do olhar material.

Esse fato fez-me recordar um ensinamento deixado por meu saudoso e sábio pai. Certa vez, um homem — caixa de banco —, em desespero por uma diferença em seu caixa e abandonado por todos a quem recorreu, procurou ajuda em nossa casa, sem qualquer vínculo conosco. Sensibilizado, meu pai decidiu acolhê-lo e ajudá-lo, apesar das incertezas.

Minha mãe, ao tomar conhecimento da decisão, ponderou com lucidez sobre os riscos: tratava-se de um desconhecido, possivelmente responsável pelo próprio problema, e que poderia não honrar o compromisso. Ainda assim, meu pai respondeu com uma lógica que transcendia o cálculo material. Afirmou que aquele homem, naquela condição, não encontraria mais ninguém disposto a ajudá-lo. E acrescentou: se não o ajudasse, os filhos daquele homem poderiam passar fome; mas, se o ajudasse e saísse prejudicado, confiava que Deus não permitiria que seus próprios filhos passassem necessidade.

Funcionário do Banco do Brasil e pai de 14 filhos, sem folga financeira para tal gesto, ele tomou um empréstimo para socorrer aquele homem. O sucesso dessa iniciativa foi parcial: o beneficiado superou sua crise e sua família não passou fome, mas não conseguiu honrar integralmente o compromisso, causando um prejuízo financeiro a meu pai, que conseguiu superá-lo sem comprometer a assistência integral aos seus filhos, os quais, mais tarde, se tornaram profissionais bem-sucedidos e respeitados na sociedade sergipana.

Diante desse exemplo familiar, não precisei recorrer a textos sagrados para compreender que os valores espirituais são soberanos sobre os materiais. O essencial é mantermos sintonia com nossa essência espiritual, para que possamos observar as dores e as injustiças do mundo material a partir de uma perspectiva mais elevada.

Essa compreensão não significa afirmar que o mal tenha sido vencido ou que a injustiça deixou de existir. Tampouco elimina a necessidade de buscarmos justiça e de lutarmos pelo aperfeiçoamento das instituições responsáveis pela proteção da sociedade, porque o trauma foi real, provocou sofrimento e pode deixar marcas profundas na vida da pessoa atingida.

Nestas situações, o verdadeiro desafio consiste em evitar que um episódio doloroso marque negativamente nossa trajetória de vida. A melhor forma de enfrentá-lo é ampliar nosso olhar a partir de uma perspectiva espiritualista. Assim, percebemos que, apesar da violência sofrida e do sofrimento experimentado, permaneceu preservado o bem maior: a capacidade de prosseguir na concretização do nosso projeto de vida. É dessa certeza que brota a força para superar o trauma, reconhecendo que depois do incidente, continuaram presentes as condições essenciais para seguir adiante, como a saúde, a família, a possibilidade de honrar os próprios compromissos e de reparar prejuízos materiais.

Essa visão nos permite acreditar que uma força superior nos guia e sustenta, mesmo em meio às adversidades, ainda que pareça não se manifestar segundo os critérios imediatistas da lógica humana. O que nos parece incongruente no presente pode estar inserido em uma ordem maior, cuja compreensão muitas vezes ultrapassa os limites da nossa percepção. A espiritualidade, assim, não apaga a dor nem modifica os fatos, mas transforma a maneira de vivê-los. É essa mudança de perspectiva que nos fortalece para seguir adiante, preservando a serenidade, a esperança e o compromisso com a construção de um mundo mais justo, fraterno e solidário.

                                      Dr. Luiz Hermínio de Aguiar Oliveira

 

 

quinta-feira, 9 de abril de 2026

 A Doença como chamado à Reflexão

 

Hoje relembro um dia especial, não pela concretização de metas, mas pela compreensão do que realmente sustenta a possibilidade de realizá-las.

Naquele dia, orientava uma paciente na organização do seu projeto de vida. Era um cenário complexo, com múltiplas frentes interdependentes envolvendo a saúde familiar, desafios na área acadêmico-profissional e a realização de metas materiais. Tudo exigia harmonia, sincronia e precisão. Por um momento, parecia que havíamos encontrado o caminho ideal e bastaria seguir, etapa por etapa, aquilo que havia sido cuidadosamente planejado. Mas a vida, por vezes nos surpreende e interrompe o que julgamos estar sob controle.

E assim, na manhã seguinte, a paciente apresentou um distúrbio ocular inesperado. Um evento aparentemente simples, mas que, sob o olhar médico, trazia diversas possibilidades, desde alterações funcionais benignas até lesões orgânicas graves. Em poucos instantes, todos os projetos ficaram suspensos. O futuro, antes organizado, tornou-se incerto e tudo passou a depender da saúde.

Graças à sensibilidade de um amigo oftalmologista, foi possível realizar uma avaliação emergencial. Ao final da consulta, o profissional levantou a hipótese de um distúrbio funcional, possivelmente relacionado a uma contaminação química. Ainda não havia uma definição absoluta, mas existia um elemento fundamental, a possibilidade de recuperação e, com ela, a retomada da esperança de concretização do projeto previamente delineado.

Esse episódio nos conduziu a uma reflexão frequentemente negligenciada. A saúde é o principal fundamento para a realização de qualquer projeto. Sem ela, não há concretização, apenas planejamento e expectativa. Por isso, para termos sucesso em nossos empreendimentos, é imprescindível valorizá-la e compreendê-la de forma mais ampla, pois a saúde, não se restringe ao corpo físico, envolve também   a estabilidade psíquica e a harmonia espiritual.

Nesse contexto, a doença, mesmo quando decorrente de um distúrbio funcional transitório, representa um chamado à revisão de prioridades   e à valorização do presente. Com frequência, vivemos projetados no futuro, concentrados em metas, resultados e conquistas. Nessa busca, acumulamos tensão, ansiedade e, muitas vezes, sofrimento silencioso. Condicionamos a felicidade a algo que ainda não aconteceu e que pode, diante de imprevistos, não se concretizar.

Mas a vida acontece no agora. Cada dia vencido, cada desafio superado e cada momento em que seguimos adiante com integridade física e emocional constituem, por si só, uma vitória. Somos, na vida real, combatentes em uma guerra muitas vezes invisível. Ao longo dessa jornada, enfrentamos batalhas diárias e somos atingidos por traumas que deixam marcas, algumas discretas, outras profundas. Ainda assim, quando sustentamos nossa fé em Deus e perseveramos na busca dos nossos ideais, encontramos forças para superar o sofrimento e seguir adiante. Cada obstáculo vencido torna-se uma vitória silenciosa, e é esse espírito de resistência, confiança e continuidade que deve inspirar a nossa caminhada na vida.

Assim, ao final do dia seguinte , embora nenhuma meta concreta tivesse sido atingida, ainda assim foi um dia de vitória e felicidade, pois foi preservada a capacidade da paciente de continuar lutando com saúde, serenidade e fé em Deus, na busca da concretização de seus sonhos, independentemente das incertezas do caminho.

 

                            Dr. Luiz Hermínio de Aguiar Oliveira

quinta-feira, 5 de março de 2026

 

Os anjos nos corredores da vida

 

Esta reflexão nasceu de uma experiência pessoal: 23 dias ao lado do meu neto em uma UTI. Foram dias em que a ciência, os protocolos e a competência profissional foram fundamentais para sua recuperação. A todos os profissionais envolvidos, minha profunda gratidão.

Mas essa vivência revelou algo que vai além da tecnologia, das normas e da estrutura. Mostrou que a verdadeira alma de uma instituição não está em seus equipamentos ou em suas normas. Está nas pessoas, na forma de pensar, agir e, principalmente, na forma de sentir.

Assim, em ambientes onde o procedimento é essencial e a ciência é soberana, às vezes surgem aqueles que conseguem ir além do esperado. Pessoas que percebem a angústia no olhar, que oferecem uma palavra no momento certo, que fazem um gesto que não está escrito em nenhum manual.

Essas atitudes não substituem a ciência. Elas a humanizam. Foi assim que, ao longo daqueles dias, encontramos verdadeiros anjos — pessoas que, de forma discreta e muitas vezes anônima, trouxeram luz em momentos de grande aflição.

Essa vivência nos levou a refletir. Anjos não são necessariamente seres celestes. Podem ser pessoas comuns que, movidas por amor, tornam-se instrumentos de cuidado, orientação ou socorro ao seu próximo no momento certo. Podem ser profissionais experientes ou pessoas simples. O que os define não é a posição hierárquica. É a disponibilidade interior. Muitas vezes, essas intervenções surgem como uma intuição, um impulso de agir, uma percepção que não estava prevista pela lógica formal do sistema. Sob uma perspectiva espiritual, talvez isso aconteça porque o amor amplia a nossa consciência e nos torna instrumentos do bem a serviço do semelhante. Mas para que esses "anjos" sejam ouvidos, é preciso ter humildade e discernimento para integrar sensibilidade e razão.

Talvez você já tenha sido ajudado por um anjo e não percebeu e, talvez, em algum momento, você mesmo tenha sido um deles. Porque, quando alguém age movido por amor, não é apenas iniciativa humana — e sim um canal de expressão da providência divina.

A espiritualidade não compete nem substitui a ciência. Ela amplia o seu horizonte. Que bom quando a humildade nos permite ter este discernimento!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

 O mapa da alma e o destino humano


 A reflexão que apresento aqui nasceu da minha formação em Consciência Energética Integrativa, inspirada na linha filosófica desenvolvida pela Barbara Brennan School of Healing (Estados Unidos), que aborda o ser humano como um conjunto de campos energéticos em constante interação com o universo. Essa incursão aproximou-me da psicologia analítica de Carl Gustav Jung, permitindo compreender a dinâmica interna da mente e o modo como ela se organiza e se transforma. Além disso, a psicologia junguiana oferece uma estrutura simbólica e clínica apropriada para entender como as forças internas da psique moldam o comportamento humano e influenciam o seu destino. A partir dessa união entre a visão energética e a psicodinâmica junguiana, compartilho aqui, de maneira simples, o nosso entendimento sobre como o mapa da alma influencia o destino humano.

A psicologia analítica junguiana nos convida a imaginar que cada pessoa carrega, em sua psique, um grande território constituído de várias unidades funcionais que em sua totalidade, pode ser compreendido como um verdadeiro “mapa da alma”. Assim como um país possui sua capital, suas cidades e seus territórios — alguns ainda desconhecidos —, a psique humana também é composta de áreas conscientes, áreas semiconscientes e zonas profundas que ainda não foram exploradas.

Segundo Jung, a capital, nesse mapa, é o ego: o centro de decisões, a parte de nós que organiza a vida cotidiana, escolhe caminhos e interpreta o mundo. As cidades representam diferentes complexos emocionais, memórias, desejos, medos e instintos que coexistem e influenciam nossas atitudes. Há ainda territórios pouco visitados, onde se escondem talentos, potenciais criativos e conteúdos simbólicos que aguardam integração.

Assim como um país precisa de organização e diálogo entre suas partes para funcionar bem, a alma também exige harmonia entre suas diferentes instâncias para gerar saúde e bem-estar. Quando há integração harmônica, sentimos clareza, equilíbrio e coerência na vida. Quando há conflito entre regiões internas, surgem confusões, padrões repetitivos, crises e perda de direção. Isso significa que o estado do mapa orienta nossas decisões externas. Portanto, qualquer mudança interna, mesmo pequena, altera o curso das escolhas e, consequentemente, modifica o destino humano.

Jung entendia o destino como um campo de possibilidades que se reorganiza continuamente. Não se trata de um caminho fixo, mas do resultado da interação entre nossas predisposições internas, nossas experiências, a cultura que nos molda, nossas escolhas diárias e os processos inconscientes que agem silenciosamente.

Além da história pessoal, Jung descreveu o inconsciente coletivo, uma camada mais profunda que contém símbolos, imagens e estruturas psicológicas compartilhadas pela humanidade. Ele influencia decisões, intuições, medos e impulsos que às vezes parecem não ter origem na nossa biografia. Quanto maior a consciência, mais conseguimos transformar essas influências em sabedoria e criatividade, em vez de repeti-las de forma automática.

Para Jung, existe ainda um aspecto essencial: a dimensão espiritual. Não no sentido de uma religião específica, mas como uma conexão viva entre o ego e o Self — a parte mais profunda, sábia e integradora da alma. Quando essa sintonia espiritual se fortalece, o indivíduo passa a perceber com mais clareza seu propósito, suas prioridades e sua direção de vida. As decisões se tornam mais coerentes, a existência ganha sentido e o destino se alinha a algo interno e verdadeiro.

Esse mapa, portanto, influencia o destino humano. Nossas forças internas podem criar caminhos construtivos, criativos e expansivos — ou repetir padrões limitantes, medos e impulsos que parecemos carregar sem saber de onde vieram. A consciência, ao iluminar essas dinâmicas, permite-nos ajustar rotas, transformar velhos condicionamentos e alinhar nossa jornada pessoal com aquilo que sentimos ser o nosso propósito. Assim, o destino deixa de ser apenas algo que acontece e passa a ser, em grande parte, um processo de participação ativa, no qual energia, consciência e escolha se harmonizam.

 

Obrigado

 

Luiz Hermínio de Aguiar Oliveira


quinta-feira, 29 de agosto de 2024

 A importância de um guia espiritual



             No nosso cotidiano quando queremos adquirir alguma  habilidade especial, com certeza iremos alcançá-la mais    facilmente se procurarmos um professor qualificado para nos orientar.  Evidentemente que podemos atingir este objetivo sozinhos, como autodidatas, mas isto em geral torna o caminho mais difícil e na maioria das vezes cheio de idas e vindas pela falta de alguém mais experiente para nos orientar.  Portanto, depreende-se que, se nas nossas conquistas materiais sentimos a necessidade de alguém que possa nos orientar, com muito mais razão haveríamos de concluir pela importância de contarmos com um mentor para orientar nossas decisões no campo espiritual. Eu, na minha trajetória existencial, sinto-me privilegiado por ter contado sempre com a orientação dos mais pais em todos os estágios da minha vida e, na administração da Universidade Federal de Sergipe (UFS), com alguns fieis amigos que foram meus valiosos conselheiros. Alguns destes preciosos orientadores já passaram para eternidade, e mesmo que estivessem presentes fisicamente entre nós, nem sempre estariam disponíveis para aconselhar-nos no enfrentamento das adversidades da vida, então a quem recorrer?  Acredito, que deveríamos recorrer ao nosso guia espiritual e nesta perspectiva discorrerei de forma resumida minha visão sobre o que é um guia espiritual e seu papel em nossas vidas, desatrelado de qualquer viés doutrinário, procurando tão somente expressar aquilo que sinto e que aprendi na minha incursão espiritual.

Os guias espirituais são seres de luz, capazes de nos orientar no cumprimento de nossa missão de vida. Eles estão em níveis variados de consciência, portanto podem ser acessados de acordo com o nosso padrão vibratório. Podemos nos   comunicar com eles a qualquer momento e podem nos passar orientação através de várias formas, sendo as principais a meditação e a oração.  Eles se revelam através de pensamentos que parecem surgir do nada, mas contém informações importantes para nos ajudar a tomar decisões e nos trazem uma sensação de paz quando as cumprimos, e permanecemos agoniados quando as ignoramos. Através desta comunicação, despertam nossa intuição e inspiração para solução de problemas que nos pareciam insolúveis.   Esta conexão funciona como um aconselhamento oriundo de alguém mais sábio do que nós, portanto num nível de consciência mais elevado que o nosso, consequentemente se naquele momento de aflição, conseguirmos controlar o estresse e procurarmos através da oração ou da meditação elevarmos nosso padrão vibratório, abriremos uma janela em nossa consciência para ouvirmos uma orientação espiritual elevada. Todavia, quando nos descontrolamos emocionalmente, baixamos nosso padrão vibratório, dificultando a conexão com espíritos elevados, podendo inclusive sofrer influência de espíritos de baixa vibração, agravando o desfecho da situação. Trata-se, portanto, de um processo de ressonância energética/espiritual que revela a importância de mantermos elevado o nosso padrão vibratório através de um comportamento sintonizado com os valores espirituais universais e com a pratica regular da oração e da meditação

A inspiração para escrever este texto, adveio de uma situação que tem se repetido com frequência no meu dia a dia. A última vez que aconteceu, era um dia de domingo e eu confraternizava com a família uma data especial, quando recebi a ligação de um paciente ansioso com o seu estado de saúde.  Afastei-me um pouco do ambiente para poder conversar mais reservadamente com ele,   mas mesmo assim o teor  minha conversa  foi percebido por um  familiar,  que me indagou se não seria mais adequado encaminhar o paciente para um serviço de pronto atendimento,  o que  parecia óbvio , no entanto a solução não era razoável para o caso em tela, uma vez que aquele paciente acabara de ter alta de uma urgência hospitalar,  após ter sofrido um crise hipertensiva,  que ainda não estava devidamente controlada, e ele tinha medo de vir  a  sofrer um “derrame” ( acidente vascular cerebral). Eu fui contagiado pela apreensão do paciente e pedi-lhe que medisse sua pressão e me informasse os valores apurados através do WhatsApp e assim comprometi preciosas horas do meu lazer naquele festivo domingo, tentado evitar que o pior acontecesse com meu interlocutor.

O fato relatado acima suscitou a seguinte reflexão:   teria sido está a escolha mais acertada no encaminhamento do caso? Do ponto de vista racional, pareceria que a   atitude mais sensata seria recomendar o retorno do paciente ao setor de urgência, isto me livraria das responsabilidades sobre o desfecho do caso e me permitiria curtir a confraternização familiar de forma mais tranquila. Mas este não foi o sentimento que tomou conta de mim alma naquele momento, algo me dizia ser melhor tentar complementar o tratamento domiciliarmente e se não houvesse uma resposta satisfatória recomendaria o retorno do paciente ao setor de urgência e assim o fiz. Graças a Deus, com as mudanças que fiz na prescrição, a pressão começou a ceder e o quadro do paciente foi normalizando gradativamente. No entanto apesar da situação ter sido controlada com sucesso, fui dormir com este questionamento na cabeça sobre a atitude assumida. Procurei relaxar e meditar sobre o tema e algum tempo depois brotou na minha mente uma mensagem tranquilizadora direta e profunda: “amai ao próximo com a si mesmo”. Então tive a sensação de que minha atitude naquele momento fora correta, pois postergar o atendimento, através de um retorno hospitalar, cuja a assistência poderia não ser imediata, face ao tempo de deslocamento, o protocolo de atendimento   e o volume da demanda do serviço de urgência poderia complicar o caso e o agravamento da situação, e incapacitar o paciente para o resto da vida , acarretando prejuízos irreparáveis para o conjunto de sua família.

 No  meio daquela  da meditação , fui induzido a refletir  sobre  a segunda parte da mensagem:  amar a si mesmo.  Naquela oportunidade aflorou em minha mente a compreensão, de que deveria saber filtrar cuidadosamente as situações que poderia socorrer emergencialmente, sem assumir responsabilidades que pudessem comprometer a minha reputação profissional e também prejudicar horas preciosas do meu convívio familiar.  Esta orientação parecia vir de um lugar acima do meu nível de consciência e de alguém que parecia me conhecer profundamente e que tinha preocupação em restaurar a minha paz. Esta voz oculta que parece vir do mundo espiritual se comporta como um mentor com mais experiência, inteligência e visão de mundo do que a nossa e portanto com capacidade de nos orientar sobre a melhor decisão a tomar em situações conflituosas.

 Situações como esta ocorreram inúmeras vezes na minha vida depois da minha incursão na área espiritual e então passei a crer na existência deste mentor e abri uma janela na minha alma para colher suas orientações.  E assim, num momento de grande comoção pelo diagnóstico de câncer em minha mãe, através de uma meditação recebi uma orientação que revolucionaria a trajetória da minha vida, incluindo uma mudança na minha linha de atuação profissional, que a partir dali passaria a ser focada na busca da integração da ciência e espiritualidade em prol da saúde humana. Nesta perspectiva, após ter exercido o cargo de reitor da Universidade Federal de Sergipe, fiz curso área de consciência energética integrativa que culminou com a criação do Espaço Renascer que hoje presta relevantes serviços a uma parcela de doentes em que a medicina convencional, as vezes nada mais tem a oferecer. Nessa nova linha de atuação profissional comprovamos a importância de um mentor espiritual para a orientação quanto as decisões sobre o nosso destino, conforme explicaremos a seguir.

O nosso cérebro é sede da personalidade e se constituí o nosso centro de decisão fundamentado no raciocínio lógico. Já o nosso coração, sede da alma, representa o nosso centro de decisão fundamentado nos nossos sentimentos mais profundos relacionados ao nosso espirito. Nesta linha de raciocínio podemos inferir que o nosso cérebro comanda nosso eu inferior ligado a terra e portanto sujeito a influência de suas demandas e normas vigentes. Ou seja, por meio   deste centro decidimos segundo as nossas necessidades de adaptação a sociedade visando reduzir prejuízos ou obter vantagens e assim nem sempre esta decisão está sintonizada com os princípios espirituais que respeitamos.  Já o nosso coração está sintonizado ao nosso eu superior (eu verdadeiro) ligado a Deus, portanto representa a expressão dos nossos verdadeiros sentimentos relacionados a nossa essência espiritual. Quando não conseguimos conciliar estes dois centros, ocorre um desequilíbrio no nosso campo de energia que resultará em mal estar físico ou psíquico, daí a importância de tentarmos conciliar a atuação destes dois centros em nosso processo de tomada decisão, visando preservar a nossa saúde e a nossa paz. Todavia, devemos reconhecer que isto nem sempre é uma tarefa fácil e as vezes parece impossível de concretizá-la, sobretudo quando não se tem a consciência precisa das consequências destas decisões para o equilíbrio psicofísico do ser humano, daí a importância de ouvirmos nossa voz superior (nosso guia) visando assumir    atitudes mais acertadas e benéficas para nós e para a sociedade de em geral.

                                            

                                                   Dr. Luiz Hermínio


quinta-feira, 26 de outubro de 2023

 

O  Grande Homem e a família dos Hermínios


No próximo dia 14 de novembro às 19 hs (terça feira) no salão do Bar Varanda do Iate estaremos lançando o livro “ O Grande Homem”. Trata-se da biografia do meu pai, Luiz Alves de Oliveira, casado com Maria Hermínia de Aguiar Oliveira (Neném) exemplo de um amor eterno que, como meu pai descreveu em seu diário, fora um amor sobrenatural, um amor que estava além da compreensão humana. Minha mãe foi para nós uma dádiva de Deus, uma pessoa extremamente talentosa, carinhosa, conciliadora e cuja virtude maior era a solidariedade humana, qualidade esta também registrada na biografia de meu pai. Neste livro procuramos revelar toda a paixão, respeito e admiração que meu pai nutria  por minha mãe. Também destacamos o gosto e o zelo com que ambos cuidaram da família - uma numerosa prole de 14 filhos. Se preocuparam com o nosso desenvolvimento integral, nos proporcionando acesso a ciência, cultura e lazer e sobretudo souberam nos ensinar a valorizar no dia a dia da vida a solidariedade humana, a espiritualidade e o respeito aos valores morais, cujos detalhes desta nobre missão são descritos no livro em tela. A maior expressão do amor que meu pai nutria por minha mãe, está consubstanciada na magistral ideia que teve de dar a todos os seus filhos um nome composto, em que o segundo nome sempre seria Hermínia ou Hermínio, gerando assim a Família dos Hermínios, que tem se destacado na sociedade sergipana não só pela eficiência técnica nas áreas  que abraçaram mais sobretudo pela expressão de solidariedade humana e amorosidade decorrentes da educação proporcionada pelos seus pais. Um outro aspecto que registramos no livro é a devoção da nossa família ao Papa Pio XI, para nós considerado como um santo, em função de milagres que alcançamos através da sua intercessão, tornando nosso pai um incansável defensor da sua canonização.  Em função dessa especial devoção, nossa família decidiu homenageá-lo nomeando as instituições profissionais criadas pelos Hermínios como Organizações Pio XII.

Quanto aos aspectos pertinentes a biografia do meu pai, por uma questão de objetividade, valemo-nos do resumo do livro apresentado na sua contracapa, para lhes dar uma ideia do conjunto da obra.  Espero contar com presença de todos no lançamento do livro sobretudo daqueles que valorizam a família, o amor e a espiritualidade humana

Resumo do livro:

 Este livro conta a história de Luiz Alves de Oliveira, um menino de origem humilde que, com os recursos que recebia como entregador de carvão, por uma inspiração divina, decidiu comprar os livros adotados pelos professores de sua escola, para se aprimorar e ensinar aos seus colegas de turma, a fim de complementar os recursos para a sua subsistência. Nesta senda, se tornou professor de português, francês, inglês, matemática. O hábito de eterno estudante, o tornou uma pessoa muito culta e intelectualmente preparada para enfrentar com maestria todos os tipos de adversidades da vida. Mas não foi só está característica que o fez se tornar um “Grande Homem”, foi sobretudo um elenco de virtudes que possuía e que são detalhadamente descritos neste livro como:  o hábito de registrar tudo em sua agenda pessoal, a valorização da meritocracia, da objetividade e eficiência, o poder do pensamento positivo e sobretudo o elevado espirito de solidariedade humana e a inabalável fé em Deus.  Uma demonstração inequívoca do brilhantismo de sua trajetória de vida foram os inúmeros “cognomes honoríficos“ que recebeu da sociedade pela proficiência das suas atuações como:  o Protetor de todos, o Solucionador de Problemas, o Advogado dos Humildes, o Guerreiro do Cooperativismo e o Salvador do Treze. Por tudo isso, este livro se constitui uma minienciclopédia sobre os atributos indispensáveis para vencer as adversidades da vida, por esforço próprio, e se constituir num cidadão, com qualidades intelectuais, morais, e espirituais, capaz de contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e fraterna.

 Obrigado.  Até lá

Dr. Luiz Hermínio de Aguiar Oliveira